quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Finais Infelizes I - Cinderela

Cinderela era filha de um comerciante rico, a mãe faleceu quando ela era criança e o pai se casou novamente. A mulher tinha duas filhas, de idades próximas a de Cinderela, porém eram feias e tinham inveja da beleza e da simpatia de Cinderela. O pai veio a falecer quando ela ainda era muito jovem e foi então criada por sua madrasta malvada, que junto de suas filhas, transformaram-na em sua empregada. Cinderela tinha de fazer todos os serviços domésticos - lavar, varrer, cozinhar - e ainda era alvo de deboches e malvadezas. Seu refúgio era o quarto no sótão da casa e seus únicos amigos, os animais da floresta.

Um belo dia o Rei anunciou um baile no castelo para que o príncipe escolhesse sua esposa dentre todas as moças do reino. O convite foi distribuído a todos os cidadãos, e continha um aviso de que todas as moças, mesmo que fossem feias ou pobres, deviam comparecer ao Grande Baile.

A madrasta de Cinderela sabia que a moça era a mais bonita da região, então disse que ela não poderia ir, pois não tinha um vestido apropriado para a ocasião. Cinderela então costurou um belo vestido, com a ajuda de seus amiguinhos da floresta. Passarinhos, ratinhos e esquilos a ajudaram a fazer um vestido feito de retalhos, mas muito bonito. Quando o vestido já estava pronto em seu quartinho uma das filhas da madrasta viu-o pelo buraco da fechadura e correu contar para sua mãe:

- Mamãe! Mamãe! Eu não sei como, mas a Cinderela tem um vestido lindo em seu quarto, mais lindo do que o meu ou da irmã.

A Madrasta não conseguia acreditar naquilo, sabia que a enteada tinha somente farrapos para usar. Subiu ao sótão e foi ao quarto da jovem, seguida de suas filhas, e como não queria que Cinderela comparecesse ao baile de forma alguma, pois sua beleza impediria que o príncipe se interessasse por suas duas filhas, ela rasgou o vestido. Disse à moça que não tinham autorizado-a usar os retalhos que estavam no lixo e a encheu de afazeres domésticos para o dia do baile.

Muito triste, Cinderela viu-as sair rindo e ficou à janela, olhando para o Castelo na colina. Chorou, chorou e rezou muito. De suas orações e lágrimas, surgiu sua Fada-madrinha que confortou a moça e usou de sua mágica para criar um lindo vestido para Cinderela. E fez surgir, de duas grandes aboboras, uma linda carruagem e os amiguinhos da floresta foram transformados em humanos, cocheiro e ajudantes de Cinderela. Antes que ela saísse, a Fada-madrinha lhe deu um aviso:

- Cinderela, você deve chegar antes da meia-noite, ou toda a mágica iria se desfazer aos olhos de todos. A carruagem voltara a ser abobora, e os humanos voltarão a ser animais da floresta! E todo o seu encantamento desaparecerá!

Cinderela chegou à festa como uma princesa. Estava tão bonita, que não foi reconhecida por ninguém. A madrasta, porém, passou a noite inteira dizendo para as filhas que achava conhecer a moça de algum lugar, mas não conseguia dizer de onde. O príncipe, tão-logo a viu, se apaixonou e a convidou para dançar:

- Nunca vi uma mulher tão formosa no reino! Concede-me o prazer dessa dança donzela?

A ciumeira foi generalizada, todas as moças do reino sentiram-se rejeitadas, mas logo procuraram outros pares e a festa foi animada. Apenas a madrasta de Cinderela e suas duas filhas passaram a noite em um canto, tentando descobrir de onde teria vindo aquela moça tão bonita, também conhecida como Lillianne.

Cinderela e o príncipe conversaram e riram como duas almas gêmeas e logo se perceberam feitos um para o outro.

O príncipe pausou a dança para ir buscar seus pais e apresentar a encantadora jovem, já que estava decidido que ela era o seu amor. Acontece que a fada-madrinha tinha avisado que toda a magia só iria durar até meia-noite, e assim que o príncipe a deixou o relógio badalou o sinal da meia-noite e Cinderela teve de sair correndo .

Em frente ao palácio havia uma linda escadaria de mármore que estava molhada por causa da chuva. Na pressa para poder ir embora antes do feitiço terminar a pobre Cinderela escorregou na escada e seu sapatinho de cristal, fino e delicado, se quebrou em pedaços. Um dos pedaços acabou perfurando sua pele e atingindo uma artéria do corpo que passa pelo pé, e então ela caiu na escadaria com uma dor enorme e percebeu que estava sangrando muito.

A jovem desmaiou na escadaria. Seus amigos que ainda estavam enfeitiçados se apressaram para ajudar, só que o relógio deu o ultimo badalo da meia noite, e todos voltaram a ser pequenos animaizinhos, que não conseguiam ajuda-la, e agora ela estava em farrapos, o vestido de princesa sumira, dando lugar para um pedaço de pano marrom manchado de sangue, e o cabelo com o penteado desfeito. Não era mais a linda moça do baile.

O príncipe apareceu um tempo depois, seguido de seus pais. Olhou para todos os lados e não viu a sua maravilhosa moça em nenhum canto:

- Acho que ela se assustou porque fui chamá-los e deve ter ido embora com medo de um relacionamento sério, era muito jovem!

E então ele olhou na direção da escada e viu aquela moça toda suja e machucada, chamou um serviçal e pediu que ele acudisse a pobre moça que lá estava, e voltou para o baile.

Porém os socorros não foram muito úteis, Cinderela já havia perdido sangue demais, e acabou morrendo na escadaria do castelo por hemorragia. E como ninguém a reconheceu ela foi enterrada no cemitério do reino como uma indigente.

Enquanto o príncipe dançou com várias outras moças naquele baile, e ao final da noite, cansado pela insistência e também porque todas as moças tinham sido praticamente expulsas do baile pela madrasta de Cinderela e suas duas filhas, ele acabou aceitando a mais velha como sua esposa. Vivendo um casamento sem amor e felicidade o resto a vida!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Modernização, televisão e índios

Estamos no final do ano, época de correr contra o tempo pra entregar todos os trabalhos e, enfim, acabar a imensa jornada de anos escolares! Então a professora de português, uma mulher inteligentissima e que se enpenha ao máximo para ensinar nós adolescentes, pede para que façamos uma monografia no quarto e último bimestre! M-O-N-O-G-R-A-F-I-A?! Pois é, aquele trabalhinho que os estudantes demoram alguns semestres para realizar em um ensino superior.
Tema livre. Ainda bem! Escolhi o tema: A INFLUENCIA DA TV NA SOCIEDADE.
Já fiz um trabalho, menor é claro, sobre isso no Técnico em ADM, então tenho uma base sobre o que pesquisar, o que estudar, onde procurar os textos e tudo mais que é necessário. Elaborei um pequeno roteiro com os assuntos que poderiam estar presentes no trabalho, dentre eles selecionei: A TV E A CULTURA INDIGENA.
E foi enorme a minha surpresa quando comecei a ler os textos sobre isso, e foi impossivel não rir. Alguns índios afirmam que a TV não mudou em nada a vida deles, é apenas uma forma a mais para se distrair e conhecer o mundo, só que existem outros contrários a isso. Um pajé disse em entrevista que ele foi obrigado a mudar os horários dos ritos, que se iniciavam as 18horas, porque os índios não participavam para poder assistir a novela que é transmitida neste horário. Isso seria destruição cultural? Ou apenas modernização?
Ao meu ponto de vista é uma modernização que destrói a cultura. Mesmo que esses índios conseguiram manter seus rituais, mudando os horários, existem algumas tradições que não vão ser mantidas, como por exemplo as histórias contadas e passadas de pais para filhos em volta da fogueira, as brincadeiras dos "curumins", e várias outras coisas que são afetadas com esse contato direto com a "cultura do homem branco". Por causa da televisão vários índios jovens querem e trocam a aldeia pela cidade.
Os portugueses já dizimaram milhares de povos e destruiram culturas indigenas, o próprio povo brasileiro muitas vezes não se importa com isso, muitos podem até considerar índios apenas como "homens atrasados". Só que com certeza seria melhor se os "brancos" tivesse absorvido suas culturas ao invés de imporem uma cultura para eles.
Um professor de fisica diz que ainda bem que somos modernizados, porque seriamos povos antigos, viveriamos arcaicamente! Ah meu caro, eu preferiria mil vezes dormir em redes, plantar e caçar os meus alimentos, tomar banho nos rios limpos, do que me dizer "moderna" e não ter quase agua potavel, não ter terras boas pra plantar, ser bombardeada diariamente com noticias muitas vezes falsas, ser iludida por propagandas, ter necessidade de consumir para me sentir feliz e saber que eu também tenho culpa pela atual situação, precaria, da natureza!
Tomara que a televisão não destrua totalmente o pouco que restou do que são os verdadeiros brasileiros, e que merecem respeito!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quando o abraço não representa mais um forte laço
Quando o coração é substituido totalmente pela razão
Quando dois olhos se fecham enquanto os outros dois brilham
Talvez seja melhor desistir!

Quando os sentimentos estão apenas de um lado
Quando o beijo não é mais desejado
Quando tudo o que era bom começa a ser rejeitado
Talvez seja melhor entender que tudo esta acabado!

Quando o telefone não tocar mais
Quando os encontros não existirem mais
Quando o frio tomar o lugar do calor
Talvez seja melhor preparar-se para a dor!

Quando as mãos não estiverem mais unidas
Quando o outro não fizer mais falta na vida
Quando não existir mais companhia para caminhar
Talvez seja inutil continuar!

E quando existir esperanças
Quando ainda dar saudade das lembranças
Quando for possivel resgatar as alianças
Com certeza persista!

Pode ser que nada volte um dia
Que não exista mais tamanha alegria
Só que também não havera o arrependimento
De não ter tentado mostrar a beleza do sentimento!

sábado, 26 de setembro de 2009

Ser humano robótico

Sábado a noite, dia de sair com os amigos, de comer fora, colocar o papo em dia, ir para as danceterias, namorar ou paquerar um pouco. Isso eram atividades de jovens aos sábados a noites porém ele não estava no meio desses jovens. Para ele era dia de estudar, ficar na internet fazendo trabalhos e pesquisas a cerca de curiosidades, juntar os cadernos na frente do computador e escrever, e ficar olhando pro MSN que conforme as horas iam passando diminuia a quantidade de contatos disponiveis para conversar, afinal, os contatos estavam no meio dos jovens descolados.
Mas talvez fosse justamente a falta de amigos que fazia ele ter aquelas tediosas noites aos finais de semana, todos os bons e velhos amigos, que não eram só virtuais, tinham arrumado a "metade da laranja" então dedicavam seu final de semana a pessoa amada e ele há dois anos estava totalmente sozinho.
Procurava entender o que ele tinha de errado, o que faltava nele, e porque há dois anos persistia aquela solidão. Já tinha beijado algumas outras garotas, ficado por semanas com outras, e nenhum relacionamento durava. Uma delas era desenhista, só que ele era a negação quanto a artes, então um dia apareceu um rapaz que pintava telas maravilhosamente bem, e ele perdeu a menina pro cara. Depois apareceu uma atleta, corria toda a manhã, jogava futebol, e ele era sedentario ao extremo; como era de se esperar, em uma corrida matinal um jogador de futebol trombou com ela, se conheceram, e novamente ele perdeu a menina. A ultima que apareceu era uma baterista, tinha uma banda de rock, parecia que tudo ia muito bem, porém ele não tinha paciencia para aprender tocar algo, e um guitarrista entrou na banda dela e conquistou-lhe o coraçãozinho. Com isso ele se sentia totalmente inutil!
A família dizia que não tinha o porque querer namorar, estava em ano de vestibular, era inteligente e dedicado aos estudos, então tinha que se preocupar com os livros e cadernos, esquecer gandaias de final de semana e namoricos que só atrapalhariam. Isso revoltava-o, pensavam que ele era um robô? Sim, era praticamente isso que ele era.
Robôs o assustavam, tinha medo que eles dominassem o mundo como nos filmes, e aos poucos percebia que eles estavam dominando. Não eram aqueles robôs construidos por japoneses e com alta tecnologia, eram Robôs Humanos. Não tinham sentimentos valorizados, eram proibidos de ter sentimentos e não faziam nada além do que falavam que era sua obrigação. Não se divertiam! Ele se sentia assim, um ser robótico.
A solução seria arrumar uma namorada robótica, só que como robos nao tem sentimentos, seria impossivel isso.
Depois de pensar em tudo isso e tentar por mais vezes entender o que havia de errado nele, lembrou que uma coisa diferenciava-o de uma máquina: suas necessidades fisiologicas, com isso era necessário dormir.
Abraçou todos os cadernos que estavam em sua mesa, eram a unica coisa que restava a ele, e levou-os para o quarto, com todo carinho. Deitou na cama e lembrou que o outro dia era domingo. Dia de almoçar em família, de passear no horto, de tomar sorvete a tarde. Não, nada disso, domingo era apenas mais um dia robótico.

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma falsa princesa

Ela estava lá de novo, os cabelos negros e lisos balançavam com o seu andar, os olhos azuis encantadores e o sorriso que me tirava o fôlego. Ah, o sorriso! Foi sempre ele que me fez sonhar com ela, desde o primeiro ano de escola juntos, aos quatro anos de idade.

Logo atrás dela estacionava um carro conversível vermelho, e ela sorria para o motorista como se ele fosse a essência da felicidade para ela, e isso sempre me dava uma pontinha de ciúmes. Léo, assim era conhecido o alemão todo arrumadinho, e dono do carrão.

Assumo que era um belo carro, e também que Léo era um cara boa pinta, pelo menos ele fazia um sucessão com as meninas da escola, o que eu nunca consegui fazer em dez anos estudando lá. Só que eu sempre acreditei que isso era fruto da grande quantidade de notas em sua conta bancaria, afinal, as meninas não tinham nem trocado algumas palavras com ele e já mandavam declarações de amor.

Ela era diferente, ela não corria atrás dele, não ficava se declarando ou fingindo estar passando mal na educação física só para ser carregada, o caso era contrário, ele que a perseguia. Claro, ela retribuía as investidas dele!

Eu sabia que ela nunca ia dar bola pra mim, um menino magricela, desengonçado e com óculos fundo de garrafa. Uma princesa como ela não merecia alguém assim, isso só aconteceria em contos de fadas, e eu era um pouco inteligente pra saber, aos dezessete anos, que os contos de fadas não eram reais. Mas os sonhos eram mais fortes que eu, e sempre que estava detraído, me pegava pensando nela.

Acontece que estudávamos na mesma sala havia treze anos, e ela passava do meu lado sem ao menos me cumprimentar, acredito que nunca tinha dirigido a palavra a mim, a não ser pra pedir licença nas vezes que eu parava fascinado em sua frente e acabava impedindo a passagem. Justamente por isso as minhas esperanças de um romance eram inexistentes, porem os sentimentos persistiam.

Assim que o alemão desceu do carro foi abraça-la, e acredito que a cena que se seguiu foi a mais dolorida de ver em toda a minha vida, ele beijou ela. Aquela boca rosada, do sorriso lindo, sendo beijada por aquele riquinho, filhinho de papai, que sabe-se lá quantas garotas tinha beijado na noite anterior.

A minha vontade era de ir separar os dois, quebrar a cara dele. O que ele pensava que estava fazendo? Ela era minha, a minha princesa; o meu sorriso, ele estava destruindo tudo, todas as minhas tardes de planejamento de como chegar nela, todos os meus sonhos de treze anos.

Eu sempre tinha sido um bobo na vida, não tinha coragem de fazer nada, e me surpreendi naquele momento, porque as minhas pernas estavam caminhando, estava indo em direção ao casal se beijando; iam apressadas, como se eu estivesse atrasado para algo, meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu estava correndo! Eu não tinha costume de fazer isso, a não ser para pegar o ônibus quando me atrasava.

Cheguei diante deles e a minha voz saiu alta, forte, como se quisesse que a escola toda ouvisse:

- O que você esta fazendo com ela seu otário?

Era tarde demais, eu não tinha como reparar o que tinha acabado de fazer, e minhas pernas estavam cansadas para correr, o jeito era ficar e agüentar as conseqüências. E eles continuaram o beijo, como se eu não estivesse falando com ele. E outra atitude inesperada me assustou; coloquei a mão no braço dele tentando puxá-lo e repeti a mesma frase, só que com uma raiva maior.

Eu sei que senti o peso da mão dele no meu maxilar e o gosto do sangue da minha boca, e isso não me doía nada perto do olhar que ela me lançou.

- Você é louco garoto? Quem você pensa que é pra chamar o meu namorado de otário e querer separar a gente? – e saiu pisando firme.

A única coisa que consegui fazer foi resmungar que eu estava tentando protegê-la, e ela riu sarcasticamente, se eu pudesse também tinha o feito, já que não sabia exatamente o porque esta proteção, sabia da existência do ciúme, que cada vez me deixava com maior descontrole.

Meus colegas ajudaram-me a levantar, segurando o riso para que eu não ficasse chateado com eles, apesar de que eu tinha a plena consciência do papelão que tinha feito na frente da escola toda.

O jeito foi abaixar a cabeça e me acostumar com os beijos e carinhos entre eles, o que era comum entre namorados; e tentar controlar os meus ataques de raiva, porque meu maxilar ainda não estava curado. Segundo o médico, outro soco daquele me levaria para a sala de cirurgia, e eu fugia de agulhas.

Eu sei que o tempo foi passando, e o sorriso dela não sumia do rosto quando estava com ele. Comemoraram um mês, dois meses, três meses de namoro. Na comemoração do quarto mês ele levou-a na pizzaria do meu tio, e por sinal eu estava dando uma ajudinha no dia e tive que servir a mesa deles, foi um constrangimento total. O pior foi olhar para a mão dela, e ver a enorme aliança prateada que tinha acabado de ganhar. Eu nunca conseguiria presenteá-la com algo parecido.

Depois do quinto mês de namoro o clima parecia ter esfriado entre o casal, eles não ficavam grudados na hora do intervalo, ela ia embora com as amigas de ônibus e ele sozinho de carro. A curiosidade me consumia, e a felicidade só de imaginar que poderia estar chegando o final do relacionamento deles também.

Em uma segunda feira Léo faltou da escola, eu estava sentado na arquibancada da quadra assistindo o jogo dos meninos da sala quando ela sentou ao meu lado.

- Oi Tomas.

Ela sabia o meu nome! A minha felicidade foi enorme, o coração acelerou, eu ouvi sinos e vi fogos de artifícios pelo céu. Demorei alguns segundos para me controlar e conseguir responder um pouco tímido, então ela começou a conversar comigo.

- Me desculpe aquela vez que te chamei de otário quando você tentou separar eu e o Léo.

- Te desculpar? Não tenho motivos, você estava correta.

- Não, eu não estava. Ele é mesmo um otário e você conseguiu enxergar isso, se eu tivesse te ouvido teria me dado melhor na vida.

De repente olhei pra sua mão direita e a aliança de compromisso não estava mais lá.

- O que aconteceu com vocês? – foi uma pergunta indiscreta é claro, e também surpreendente, eu nunca pensei que conseguiria fazê-la e acho que ela pensou o mesmo.

- Sabe Tomas, eu sei que você é de confiança e eu preciso muito desabafar com alguém. Acontece que eu quis fazer as vontades dele, agradá-lo, e acabei ferrando a minha vida. Eu estou grávida.

Ela estava grávida. Era jovem, linda, e estava grávida. Criança é sempre uma benção, mas não creio que seria para ela, em pleno ano de vestibular, ainda mais que ela lutava tanto para se formar em medicina.

Eu não tinha o que falar, somente abaixei a cabeça e continuei ouvindo. Enquanto ela falava, as imagens desde a nossa infância passavam pela minha cabeça como um filme.

- Eu fiz um teste de farmácia sábado, deu positivo. Fui contar para ele e não tinha ninguém na casa dele. Voltei no domingo e o pai dele me disse que ele foi pra Minas Gerais, decidiu que queria morar no campo, tinha cansado da vida urbana. Eu sei que é mentira, ele fugiu de mim, fugiu da responsabilidade de pai. E o que eu faço? Como eu conto pra minha mãe Tomas? Meu filho precisa de um pai.

" Então Tom, posso chamar assim não posso? Sei que você até prefere ser chamado assim. Eu já percebi que você da uns olhares diferentes em minha direção, que demonstra um certo afeto por mim, e eu acho você um cara interessante."

Ela me achava um cara interessante? Desde quando ela achava isso? Eu ate olhei no calendário do celular pra confirmar que não era primeiro de abril, e já estava longe, era quatro de setembro.

- Você é aplicado, estudioso – continuava – parece ser bem carinhoso também. Eu estava pensando se...

Parou nesta parte e ficou admirando o teto da quadra, eu a cutuquei e ela voltou a realidade; os olhos marejados de lagrimas e as faces rosadas, como se o que ia dizer fosse constrangedor.

- Bom, estava pensando se a gente não podia tentar namorar. É sabe, minha mãe admira você e eu também, e você me ama. Poderia dar certo não acha?

Qualquer pessoa do mundo que conhecesse os meus sentimentos imaginaria que minha resposta seria um sim e um beijo bem demorado naquela boca rosada de sorriso lindo. Só que a falsidade nas palavras dela, os pensamentos dela, me fizeram ter nojo da pessoa que ela era. Há treze anos eu a amava, e agora, quando a vida dela estava ferrada eu servia para alguma coisa. E pela ultima vez eu me espantei comigo mesmo, porque depois daquela resposta nada mais era assustador na minha vida.

- Não, eu não acho que poderia dar certo. Saiba que eu não amo você e tenho pena desta criança que vai nascer. Agradeço sua admiração e da sua mãe. Com licença que eu preciso estudar.

Deixei-a na arquibancada chorando, mas eu não era otário a ponto de sustentar uma criança que não era minha e não ter o amor verdadeiro daquela menina. Depois daquele dia ela não voltou na escola, a casa foi vendida e a família se mudou; eu perdi o medo e a vergonha, deixei de ser um bobo e consegui realizar muitas coisas importantes. E percebi que ela nunca tinha sido uma princesa, na verdade eu havia criado uma em meus pensamentos.

sábado, 19 de setembro de 2009

Tempo!

Quanto tempo o tempo tem?
Quanto tempo o minuto?
Quanto minuto em uma hora?
Quanta hora em um mês?
E o tempo que não passa
O tempo que embaça
Tempo que alegra e despedaça
Tempo que não passa.
Quando se vê já é fim de mês
ou ainda é o amanhã
Daqui a pouco quatro horas
ou ainda é de manhã.
Quanto mais se pede pra passar
O tempo se faz desesperar
Passa tempo, tempo passa
e parece que nunca vai acabar.
E quando tudo deve parar
o tempo decide atrapalhar
Passa tempo, tempo passa
E o adeus aqui está
Quanto tempo o tempo tem?
O tempo tem exatamente o tempo contrário
Dos anseios e desejos
De um homem solitário.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

I Don't Want To Miss A Thing (Aerosmith)

Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirando
Observar você sorrir enquanto está dormindo
Enquanto você está longe e sonhando
Eu poderia passar minha vida nessa doce rendição
Eu poderia continuar perdido neste momento para sempre
Todo momento que eu passo com você
É um momento que eu valorizo

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada

Repousando perto de você
Sentindo o seu coração bater
E imaginando o que você está sonhando
Imaginando se sou eu quem você está vendo
Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos
Eu só quero ficar com você
Neste momento para sempre, para sempre e sempre

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada

Não quero perder um sorriso
Não quero perder um beijo

Eu só quero ficar com você
Bem aqui com você, apenas assim
Eu só quero te abraçar forte
Sentir seu coração tão perto do meu
E só ficar aqui neste momento
Por todo o resto dos tempos

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero pegar no sono
E eu não quero perder nada